terça-feira, 29 de maio de 2007

VARGINHA A SÃO LOURENÇO VIA FREITAS

VARGINHA A SÃO LOURENÇO

VIA FREITAS – 120Km de terra – 26/05/07

Há dois meses tínhamos ido a São Lourenço por terra e tinha sido muito bom. Pedaláramos aproximados 120km sob um sol escaldante e tivemos um trecho de empurração numa serra muito íngreme e longa, o que resultou num treino desgastante, mas fabuloso. Para esse final de semana, durante uma reunião na casa do Rodrigo Caxambu, surgiu a idéia de voltarmos lá, dessa vez por um caminho diferente. Vivi um flash back naquela hora e lembrei-me do caminho que fazia o trem de ferro em seu caminho entre Varginha e Cruzeiro, que passava (e parava) na estação de Freitas, povoado próximo a Soledade de Minas. Conversamos sobre isso e todos ficamos entusiasmados com a proposta: iríamos a São Lourenço passando por Três Corações, Conceição do Rio Verde, Freitas e Soledade. Para a volta, nossos apoiadores jurássicos Andreza e Rodrigo Mortadela dispuseram-se a pegar-nos defronte ao Parque das Águas.

Inicialmente pensamos em sair bem cedo, mas como a temperatura estivera bastante baixa na semana que findava, marcamos a saída do bikeponto para as oito horas da manhã. Sem que ninguém combinasse, encontramo-nos Adilson, Clever, Hebert, Rodrigo Caxambu, Ronaldo, Silas e eu vestidos de camisas azuis (sinal de boa sorte?), pontualmente no horário combinado. Lá encontramos nossos colegas Rodrigo Mortadela, Edir e Timba, que tinham planejado um pedal pelas cercanias de Varginha. Depois que tiramos a foto oficial do dia, partimos em direção a Polo Filme e Flora, de onde seguiríamos por terra até a Fernão Dias, atravessaríamos Três Corações e finalmente tomaríamos o rumo de Conceição do Rio Verde por terra.



Presentes também nossos amigos Mortadela e Timba

Logo que chegamos à pracinha do alto do Sion comecei a sentir uma incômoda lombalgia, que me acompanharia durante toda a viagem. Paramos, então, fiz um alongamento e saímos novamente rumo ao destino. Quando chegamos a Três Corações, a dor que sentia já era muito intensa e pensei em voltar de lá mesmo; só não o fiz porque nossos companheiros não me deixaram de jeito nenhum, mesmo sabendo que eu iria atrasar o pedal todo.


Atravessamos então a cidade e logo chegamos às margens do Rio Verde, cujas caudalosas águas foram transpostas por balsa. Um balseiro pra lá de fajuto, já que não teria conseguido, sem a nossa ajuda, atravessar o rio, conduziu-nos para o lado da Estação de São Thomé. Treze quilômetros adiante atingíamos Conceição, onde paramos na mesma padaria que da outra feita e traçamos uns belos sanduíches.


Sem muita demora partimos novamente, só que dessa vez tomamos o rumo de Freitas. Durante todo o trajeto víamos o leito da antiga Ferrovia Minas e Rio, que jazia a poucos metros da estrada. Em alguns trechos os trilhos sumiam por debaixo de terra e mesmo por matas, mostrando que há muito não são utilizados, uma pena. Logo chegamos a Freitas, simpático arraial onde os trilhos da Minas e Rio emergem de um campinho de futebol e logo desaparecem dentro de um matagal. Foi incrível voltar a um lugar que não visitava há pelo menos vinte e cinco anos...


O Rodrigo Caxambu tomou informações de como chegar a Soledade, pois também ele não passava por lá há tempos. Àquela hora estávamos temerosos de pegar parte do trecho sob a escuridão, porque já tínhamos vencido 100km mas não tínhamos idéia clara de quantos quilômetros ainda teríamos que pedalar. Tão logo o nosso amigo voltou do bar onde se informara, percebemos uma luz diferente em seu semblante: é que seriam somente 15km até Soledade e mais 5km até São Lourenço. Depois disso, tranqüilos, passamos a pedalar com muito mais prazer e curtindo a paisagem, deslumbrante naquele trecho. Margeamos a montanha em cujo cume está a torre de Soledade e finalmente atingimos a pequena cidade.



Dessa vez, combinamos, não erraríamos o trajeto à beira da estrada de ferro até São Lourenço e, incrível, não precisamos nem tomar informação, já que fomos seguindo direta e corretamente o caminho. Foram quase cinco quilômetros de um sensacional single track às margens da ferrovia, trecho deliciosamente vencido em pouco tempo e já sob baixa temperatura. Logo chegamos à Estação Parada Ramon, que já se situa no perímetro urbano de São Lourenço e, muito rapidamente, atingimos o centro da cidade, onde nossos apoiadores nos deveriam encontrar.



Era já cerca de cinco e meia da tarde quando fomos àquela agradável lanchonete em que havíamos estado há dois meses. Acredite-se ou não, todos chegaram inteiros, exceção feita a mim, que cheguei meio travado e com dores. Comemoramos mais um evento jurássico com alguns chopes, tomamos nossos lanches, arrumamos as bikes nos carros e, cedo ainda, pusemo-nos a caminho de Varginha.

De novo, um grupo jurássico se aventurou por esses caminhos de Minas, com o objetivo único de viver o momento. Pedalando com amigos, treinando nossos corpos e mentes, revivendo momentos há muito vividos, acrescentamos mais uma viagem jurássica aos nossos currículos. Passar próximo à Ferrovia por tantos quilômetros acendeu uma chama de saudosismo naqueles que por lá já tinham passado nos trens que de longe apitavam, e nos que não haviam feito a viagem pela Minas a Rio, despertaram a curiosidade e interesse por ela. Trem já não se vê há muito por aqueles lados, mas o apito de outrora ainda ecoa em nossas mentes, fazendo surgir em nossos corações o desejo de seguir aqueles caminhos de ferro até muito depois do horizonte, onde talvez encontremos uma explicação para essa ânsia de conhecer, explorar e viver essas veredas de nossa terra.


Rodrigo Silva


PS: Agradeço imensamente aos seis amigos com que viajei pela extrema paciência e cuidado que devotaram a mim. Isso não será esquecido, estejam certos.

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