quarta-feira, 25 de julho de 2007

ETAPA CURITIBA – CRICIÚMA 13 a 22 de julho

Equipe:
- SANDRO LUIS RODRIGUES
- CARNEVALLI
- CARLOS JOSE CAMILO GENEROSO
- JOSE EMERSON FARIA
- PEDRO MIGUEL

Em 7 dias foram 646 km pedalados. Sendo 424 km para meus companheiros que devido ao cansaço resolveram descansar em Florianópolis no dia 19. Nos dias 20 e 21 exploraram a Ilha de Santa Catarina de bicicleta. Nossa rotina diária consistia em: pela manhâ, café e montagem dos alforjes; à tarde, procurar hospedagem, lavar roupas para que estivessem secas pela manhã e passeio pela cidade. Por onde passávamos despertávamos a curiosidade das pessoas, principalmente das crianças. Quando parávamos para conversar com alguém da região, sempre vinham com as perguntas de sempre, "de onde vem, para onde vão?", seguidos de exclamações como, "corajosos ou malucos". Como balanço da viajem, tivemos 4 pneus furados, 2 cicloturistas para o departamento médico (joelho), belas paisagens, mais uma etapa do projeto concluído, desafio vencido e uma enorme satisfação por ter realizado um excelente passeio com de grandes companheiros.

13/07 – Viagem Varginha – Curitiba
Chegamos todos apressados na rodoviária para pegar o ônibus para São Paulo. Inclusive atrasamos a saída deste, para acomodarmos nossas bagagens e veículos. A viagem correu tranquilamente até Curitiba com um baldeamente na rodoviária do Tiete em São Paulo. Às 06:30 estávamos desembarcando na rodoviária de Curitiba.

14/07 – Curitiba – Morretes – 80 km
Assim que descemos do ônibus, montamos nossas bicicletas, trocamos de roupa e começamos a pedalar. Nossa intenção inicial era que o ônibus nos deixasse no trevo da estrada da Graciosa que fica a uns 40 km de Curitiba. Como o motorista nos disse que não seria possível esta parada, fomos obrigados a seguir até a rodoviária. De lá para alcançarmos o trevo da Graciosa pedalamos exatos 42 km. Apesar da BR 116 ter um trânsito muito intenso, e tirando as dificuldades nas entradas e saídas de veículos, não tivemos maiores problemas. Tinha um bom acostamento. Nosso rendimento neste trecho foi pequeno devido a três furos de pneus sendo dois do Pedro e um do Emerson. Esta pequena parte da viagem me dava a impressão de estar retrocedendo em meu projeto que é sempre seguir em direção ao sul. Neste momento estávamos voltando sentido São Paulo, ou seja, para o norte. Mas não poderíamos deixar de conhecer a estrada da Graciosa. E não nos arrependemos. A estrada é realmente magnífica com belas paisagens em toda sua extensão. Foram aproximadamente 20 km sendo 10 de descida, quase todo de calçamento, por entre a mata atlântica. Inaugurada em 1873 ela nos ofereceu um intenso colorido de uma variedade infinita de plantas e cores. Tivemos que atravessá-la com certa lentidão, porque em suas centenárias curvas a umidade oferecida por uma densa vegetação aliada aos paralelepípedos que compõem esta paisagem exuberante são, além de bonitos, traiçoeiros podendo nos pegar desprevenidos se tivéssemos apressados. Chegamos a Morretes às 16:00 horas. E para fechar com chave de ouro, tivemos mais um furo de pneu da bicicleta do Pedro a 5 km da cidade. Primeiro dia concluído. Estávamos um pouco cansados por termos viajado a noite toda, mas nosso rendimento foi até surpreendente. Vale ressaltar uma observação: como se não bastasse três furos de pneu do nosso amigo Pedro no meio de seu banho acabou a água do hotel. Vai ter azar assim lá na... .

15/07 – Morretes – Guaratuba – 71 km
Amanheceu com tempo fechado e uma chuva fina que perduraria o dia todo. Embalamos nossas roupas e materiais em sacos plásticos dentro dos alforjes e seguimos viagem. Este trajeto foi praticamente plano. Pedalamos pela estrada que da acesso a Paranaguá. Na chegada a Matinhos foram 30 km de retas. Chegamos cedo à balsa que atravessa de Caiobá à Guaratuba. Chuva e frio não é uma combinação muito interessante no cicloturismo. Como estávamos molhados e a temperatura havia caído sensivelmente resolvemos parar em Guaratuba. Conseguimos um hotel bem no centro da cidade, onde estava acontecendo uma festa em comemoração ao padroeiro desta, cheio de barracas com comidas típicas da região. Outra observação: e não é que no momento em que o Pedro foi tomar banho o chuveiro estragou!

16/07 – Guaratuba – São Francisco do Sul – 56 km
Dia fechado. Sereno fino quase todo o dia. Saímos por volta das 09:00 horas sentido Joinvile. Aproximadamente no km 30 entramos em um trevo em direção a Itapoá. Depois de chegarmos à cidade pedalamos por uns 10 km para atravessá-la até que no final saímos por uma estrada de terra. Foram 17 km por esta estrada até chegar a Vila da Glória com algumas subidas e descidas leves. Até então, todo trajeto do dia foi praticamente plano. Nosso companheiro Carnevalli vinha sentindo dores no joelho desde cedo. Seu rendimento vinha caindo muito. Na chegada a Itapoá já sentia fortes dores. Paramos para um pequeno lanche. Descansamos um pouco e continuamos, mas sua dor sempre aumentava. Faltando 10 quilômetros para chegar à Vila da Glória decidimos dividir seu peso para que pudesse aliviá-lo. Eu peguei um lado de seu alforje e o Carlão o outro. Mesmo assim seu rendimento não parava de cair. Chegamos à Vila da Glória às 14:00 horas, no horário de saída do barco para São Francisco do Sul. Foi uma correria danada para não perdermos a embarcação. A próxima seria somente a duas horas. O frio se intensificou bastante. Chegando à cidade de São Francisco do Sul decidimos parar para que o Carnevalli tentasse se recuperar e também porque estávamos de novamente molhados e com frio.

17/07 – São Francisco do Sul – Balneário de Camboriu – 121 km
Saímos um pouco mais cedo que o habitual. O dia prometia ser mais pesado. O Carnevalli tomou alguns remédios e resolveu continuar. O tempo continuava fechado, mas a chuva nos deu uma trégua. Saímos de São Francisco, também sentido Joinvile. Após 18 quilômetros desviamos a rota para a rodovia que liga à Barra do Sul. A partir desta cidade fomos por uma estrada de areia bem plana e lisa que às vezes ficava um pouco pesada. Neste momento Carnevalli começou a sentir dores novamente. Esta estrada terminou na BR 101 na cidade de Itapocu. Neste percurso tivemos uma situação engraçada. O Carlão, sempre que passava por algum cachorro que estivesse latindo, soltava um grito com a expressão "passa cuspe". Próximo a Itapocu, estávamos eu na frente, Emerson um pouco atrás e o Carlão logo atrás do Emerson. Passávamos por uma casa cercada por uma tela de aço onde dois cachorros latiam. Para não perder o costume, Carlão soltou um daqueles gritos "passa cuspe", mas desta vez seguido por outra expressão "chinela, chinela, chinela". É que um dos cachorros havia pulado a cerca e vinha atrás da gente. "Chinelamos" lógico e refeitos do susto caímos na gargalhada. Na BR 101, apesar do grande movimento, dava para se pedalar tranquilamente, pois o acostamento era largo. Rodovia praticamente plana alternando subidas e descidas levíssimas o tempo todo. O problema destas estradas planas é que não temos descanso. Tínhamos que girar o tempo todo. Na altura da cidade de Barra Velha o Carnevalli resolveu desistir e pegar um ônibus até o Balneário de Camboriu. E assim o fez. Nós continuamos num bom ritmo. Em uma descida a bicicleta do Pedro, pra variar, furou mais um pneu traseiro. Para nossa surpresa o prego perfurou inclusive o aro. Nunca tinha visto nada igual. Com um ritmo bom e 121 quilômetros rodados chegamos ao Balneário de Camboriu.

18/07 – Balneário de Camboriu – Florianópolis – 93 km
Amanheceu com todos os canais de televisão noticiando sobre o acidente de avião da TAM. Confesso que um baixo astral apossou-se de nós. Tristeza por todo país. Refletindo um pouco, chego à conclusão que estamos no caminho certo. Não devemos adiar ou esperar momento certo para realizar nossos sonhos. O momento pode não chegar. O Carnevalli iria de ônibus para Floripa. O dia amanheceu ensolarado, o que nos deixou mais animados. Começamos a pedalada pelo calçadão à beira da praia. No final da cidade, atravessamos de barco para a rodovia Interpraias. Nesta travessia encontramos um ciclista, Luiz Otávio, que nos acompanhou até a BR 101. Ficou animado com nossa viagem. Conversamos por todo o trajeto e ficou tão empolgado que não estava achando jeito de voltar. Se não tivesse que trabalhar nos acompanharia até Floripa. Pessoa legal se mostrou disponível para o que precisássemos. Aí está uma característica do cicloturismo. Faz-se amizade facilmente. Por onde se passa a receptividade das pessoas é muito boa. Saímos do Balneário de Camboriu lentamente, com certo pesar de estar deixando uma cidade encantadora. Ninguém tinha a menor pressa em sair dali. Foram aproximadamente 10 km pela Interpraias. Visual fantástico, algumas subidas pesadas que nos fez empurrar um pouco. Nem rendeu muito porque paramos várias vezes para fotografias. No final desta rodovia chegamos à Itapema e de novo à BR 101. Novamente plana, muitas retas e agora vento forte contra. Pesou consideravelmente, parecendo que estávamos subindo o tempo todo. Chegamos a Florianópolis às 17:00 horas. Principal meta cumprida e ponto final para meus quatro companheiros. Via-se um brilho de satisfação nos olhos de cada um. Encontramos um guia, uruguaio, meio maluco que não parava de falar. Encontrou um bom hotel com bom preço rapidamente para nós. Carnevalli nos esperava no aeroporto. Depois de alguns desencontros conseguimos nos comunicar e informá-lo onde estávamos. À noite saímos para jantar e comemorar seu aniversário.

19/07 – Florianópolis – Laguna – 128 km
Dia mais tenso da viagem. Até então a BR 101, apesar de movimentada era de pista dupla, com acostamento largo. Depois de Florianópolis passou para pista de mão dupla, em alguns lugares sem acostamento e em obras de duplicação, o que exigiu atenção redobrada de minha parte. A distância que me separava dos veículos, principalmente carretas, às vezes era de poucos centímetros. Minha primeira parada foi somente depois da Cidade de Paulo Lopes a 62 quilômetros de Floripa. A pista era plana e dava para ter um bom rendimento. A partir dali parava de hora em hora para descanso. O dia de pedal não foi dos melhores por ser apenas na Br, porém me surpreendi com a cidade de Laguna, terra de Anita Garibaldi. Uma bela cidade dona de uma paisagem natural e exuberante. De colonização açoriana, Laguna é referência na história Catarinense e do Brasil. Por aqui passaram o Tratado de Tordesilhas e também se ergueram as bases para a revolução Farroupilha onde os casarios açorianos testemunharam o amor entre a jovem nativa e rebelde Ana Maria de Jesus Ribeiro e Giuseppe Garibaldi. Às 15:00 horas já estava parado no centro histórico da cidade. Era cedo, mas já tinha rodado mais de 120 km e era sexto dia de viagem. Fui descansar um pouco e conhecer a cidade. À noite, jantava no restaurante do hotel e exatamente em frente acontecia uma movimentação diferente. Informaram-me que naquele momento acontecia um espetáculo de teatro ao ar livre. Resolvi ir para ver no que dava. O espetáculo se chamava "A república em Laguna" e contava a história de Anita Garibaldi, a declaração da república de Santa Catarina, das batalhas de Garibaldi e Bento Gonçalves. Novamente me surpreendi. Um espetáculo fantástico, ao ar livre com um grande palco e de frente para o lago. Aliás a arquibancada ficava de frente para o lago. Até a batalha entre os navios de Garibaldi e dos federalistas foi encenado com um realismo impressionante. Era estrelado pelo ator Rodrigo Faro e a atriz Joana Balaguer. Um espetáculo de primeira grandeza.

20/07 – Laguna – Criciúma – 97 km
Levantei sem muita pressa. Seria o último dia da viagem e estava com a intenção de andar pouco. Saí do hotel dei uma passada na "casa de Anita" e pedalei rumo à balsa que atravessa o canal de Laguna. Fui tranqüilo e lentamente até o Farol de Santa Marta. Na chegada da vila onde fica o farol passei por uma areia fofa que deu bastante trabalho. O Farol é considerado o maior das Américas e o 3° do mundo em alcance. È uma comunidade de origem pesqueira, fundada em 1909, que conta hoje com mais ou menos 2000 moradores. Tem um visual belíssimo. Fiquei um bom tempo por lá, apreciando e tirando fotografias. Logo depois que saí passei por uma localidade chamada Camacho. Não tinha decidido onde terminar a viagem. Conversando com um morador local sobre o caminho que deveria seguir, resolvi pedalar para Criciúma. Este morador que tinha acabado de aposentar achou interessante minha viagem e disse que iria conversar com a patroa para saírem os dois em um cicloturismo. Que bom servir de incentivo para algumas pessoas. Fiquei satisfeito. Segui em frente. Estrada de terra até Jaguaruna. Foram 50 quilômetros de pura tranqüilidade. Após esta cidade, de novo a BR 101. Mais 45 quilômetros até Criciúma. Enfim às 16:00 horas estava parando na rodoviária da cidade de Içara, 10 km antes de Criciúma para pegar o ônibus de volta para Florianópolis. Esta parada antecipada se deveu à uma forte dor no joelho esquerdo que vinha sentindo neste dia e que se intensificou na chegada a Içara. Achei melhor parar por ali mesmo. Uma pena, pois queria conhecer Criciúma. Mas na próxima viagem iniciarei nesta cidade e terei a oportunidade de conhecê-la. Assim chegou ao final mais uma parte do projeto. Agora seria o retorno para Florianópolis. O avião de volta para SP estava marcado para domingo, no entanto teria o sábado para dar um giro por Floripa.

21/07 – Florianópolis
Turismo pela cidade. Meus companheiros foram de bicicleta. Fiquei pesaroso por não poder acompanhá-los, mas tinha que dar descanso para o joelho. A saudade de casa apertava. Se não tivesse comprado passagem para o domingo, teria voltado para casa neste dia mesmo.

22/07 – Florianópolis – Varginha

Sandro Luis Rodrigues

Um comentário:

Anônimo disse...

Viajei no relato e fotos.
Parabéns ao quinteto jurássico.
Abraços, Ronaldo.