terça-feira, 4 de dezembro de 2007

APARECIDA "SUPER EDITION" ONE DAY

APARECIDA “SUPER EDITION” ONE DAY

250KM DE ASFALTO

Já há alguns meses vínhamos pensando em fazer uma viagem de Varginha a Aparecida via asfalto, mas em um
único
dia. Aqueles que tinham interesse em tomar parte da empreitada entraram em contato e o evento começou a tomar forma. Várias vezes tínhamos pensado em datas, mas várias vezes tínhamos adiado a viagem, até que, pouco antes da segunda viagem das Bikessauras a Aparecida, definimos uma data, que não seria mudada: 24 de novembro. A princípio, tomaríamos parte Adilson, Hebert, Júnior, Pantufa, Rodrigo Caxambu, Ronaldo e eu. Iniciamos uma série de pedais mais longos como preparação, reunimo-nos mais de uma vez para acertar detalhes e distribuir tarefas e fizemos uma reunião final no domingo anterior, onde a Ângela deu orientações gerais sobre a dieta que deveríamos seguir no decorrer semana. Nessa mesma reunião soubemos que o Adilson e o Rodrigo Caxambu, infelizmente, não poderiam seguir conosco. Triste notícia, já que ambos são amigos de todas as horas e tinham, desde o início, mostrado grande interesse no que seria chamado “Aparecida One Day”. Naquela mesma reunião, ficou definido que o Marcelo, irmão do Ronaldo, seguiria viagem conosco, apoiando-nos, e o Clevinho sairia mais tarde, após o seu expediente, pilotando a caminhonete do Hebert e nos iria encontrar pelo caminho. Durante a semana fizemos poucos e leves treinos, mais de descanso ativo, alimentamo-nos muito bem e aguardamos que chegasse, enfim, o dia da partida.

O grupo no bikeponto

Com nossos amigos Ary, Caxambu e Marcelo

Observem a energia extra com que estavam os Supersauros

Deixando Varginha...

Na véspera deixamos no restaurante Xangai as nossas pequenas bagagens, os materiais de reparos para as bikes e os itens de alimentação orientados e preparados pela Ângela. Cedo fomos para nossas casas porque haveríamos de encontrar-nos na madrugada seguinte. Bem cedo, um pouco antes das 4:00h, os sauros começaram a chegar ao bikeponto. Todos já estávamos presentes quando chegaram o Rodrigo Caxambu, Ary, Sandra e Clevinho, que tinham ido até lá para despedir-se de nós. Foi uma festa poder ter a presença daqueles diletos amigos na hora da partida para o nosso desafio. Com atraso de cerca de 30 minutos finalmente largamos rumo a Aparecida. Fomos seguidos pelos carros da dupla Ary e Sandra e do Rodrigo até o Café Bom Dia, a partir de onde a nossa iluminação se dava pelos poucos faróis de duas bikes, pelo sauromóvel e pela magnífica lua cheia que também estava lá, desejosa de acompanhar-nos e testemunhar o entusiasmo do grupo. A temperatura estava amena e agradável e o céu, claro e salpicado de estrelas. Não poderia ser melhor: com giro constante e forte, o grupo pedalou firme até a Fernão Dias, onde seguiu até o trevo de Campanha e tomou a rodovia Vital Brazil, rumo a Caxambu. Não houve paradas, até lá, exceto para que se trocasse um pneu da bike do Hebert. Rapidamente o grupo seguiu pelas subidas e descidas proporcionadas pelo mar de morros de nossa região e foi com alegria que atingimos a simpática Caxambu, onde fizemos nossa de fato primeira parada. Foi uma parada de cerca de 30 minutos, onde fizemos uma hidratação e consumimos nossa primeira refeição.

A primeira troca de pneus

Parada em Caxambu

Enquanto isso, conversávamos, dali até a divisa dos estados de Minas Gerais e São Paulo seria um trajeto diferente daquela primeira etapa. Teríamos, certamente, algumas descidas longas, mas o percurso seria predominantemente de subidas e combinamos, então, um pedal mais cadenciado. Partimos em direção a Pouso Alto, onde a paisagem começou a mudar e onde fizemos tanto subidas longas quanto descidas de arrepiar. Dezessete quilômetros adiante atingimos Itanhandu, onde, tínhamos acertado, faríamos nossa segunda parada, dessa vez para almoçar. É verdade que não estávamos com fome, mas toda a nossa estratégia, alimentar inclusive, tinha sido calcada nisso. Paramos, então, em um restaurante na entrada de Itanhandu, onde permanecemos por cerca de uma hora.

Rumo a Pouso Alto

Próximo a Itanhandu

Almoço em Itanhandu

Novamente iniciamos nossa jornada, agora, rumo a divisa de estados. Esse trecho, apesar de não ter subidas particularmente íngremes, é praticamente só morro acima. A paisagem que se descortina durante toda essa subida é das mais bonitas que se pode pensar, com formosas montanhas recobertas, após as últimas chuvas, de um verde resplandecente. Foi com muita vibração que finalmente avistamos, de longe, a Garganta do Embaú, que marca a divisa dos dois estados e está a cerca de 180km do Bikeponto. Há lá, todos sabem, uma pequena capela em homenagem a Nossa Senhora Aparecida, além de uma vista arrebatadora. De lá se podem avistar algumas cidades do Vale do Paraíba, além da cadeia de montanhas que, creio, seja a Serra do Quebra-Cangalha. Resolvemos, por isso, fazer uma última parada naquele pitoresco local para uma oração e fotos. Estávamos eufóricos porque sabíamos que a parte mais dura da viagem acabava de ser completada e, dali para frente, não deveríamos mais encontrar grandes dificuldades. Sabíamos também que a descida até Cruzeiro é perigosa por ser íngreme, ter muito óleo na pista e apresentar algumas curvas muito fechadas, além do grande movimento de veículos. Com a devida cobertura do nosso apoio, descemos muito rápido e com segurança, ultrapassando quaisquer carros que encontrássemos pelo nosso caminho. Quando a descida acabou, uma espécie de frisson tomou conta do grupo. Incrível, não sei de onde, mas uma energia imensa baixou sobre o grupo, que passou a pedalar num ritmo estonteante. Custava a crer, mas o Cateye insistia em marcar velocidades superiores aos 40km/h rampas acima. Não sei se era a perspectiva de conquistar mais um recorde pessoal ou o provável banho de endorfinas que certamente estava ocorrendo, mas o fato é que todo o grupo pedalou compacto e rápido como um bólido todo o trajeto restante. À altura de Canas atingimos a Via Dutra e lá o ritmo foi ainda mais intenso, e só foi quebrado pela segunda grande surpresa do dia: já em Guaratinguetá, cruzamos com o Pirituba e sua esposa, que voltavam para Varginha. Claro que o grupo parou para cumprimentar e saudar o nosso querido amigo.

Ultrapassando a Garganta do Embaú

Ao fundo, o Vale do Paraíba

Imagem dos intrépidos no alto da Mantiqueira

Num ritmo alucinante

Logo retomamos nossa marcha, que só não foi totalmente fluida até Aparecida porque nos últimos 10km houve cinco furos de pneus! Enquanto trocávamos um deles chegou o Clevinho, que tinha saído de Varginha algumas horas antes. É sempre muito bom reencontrar os amigos, mesmo que os tenhamos visto somente poucas horas antes! Foi incrível a sensação que tivemos quando avistamos a torre da Basílica Nacional de Aparecida, e mais ainda quando, juntos, subimos a ladeira de acesso a ela. Todos vibrávamos como crianças com a vitória ante ao desafio a que nos tínhamos proposto. Emocionados, abraçamos os companheiros e algumas lágrimas rolaram... Entramos então no grandioso templo, onde fizemos orações, alguns fizeram seus pedidos e todos agradecemos pela fantástica viagem que tínhamos feito.

Detonando na Dutra

Chegando a Aparecida

A comemoração defronte a Basílica

Era cedo, ainda, e o sol brilhava forte quando partimos rumo ao hotel previamente escolhido para o pouso. Novamente pegamos nossas bikes para vencer os aproximados 5km que o separam da basílica. Uma bela piscina com algumas cervejas geladas foram um prêmio mais que merecido para todos nós. No hotel encontramos uma simpática dupla de bikers de Santos, que tinham vencido os 150km que separam as duas cidades em dois dias, com alforjes e tudo. O detalhe: Alfredo e Rodrigo têm, respectivamente, 62 e 69 anos! Muito simpáticos e extrovertidos, conversamos longamente sobre as aventuras deles e as nossas. Bem mais tarde, um completo jantar saciou a fome dos sauros, que se recolheram aos quartos e tiveram um sono digno do pedal realizado. No domingo, 25 de novembro, cedo, levantamos, tomamos café e arrumamos as bikes nos carros. É, já era hora de voltar. Saímos os dois carros juntos e fizemos uma parada em Pouso Alto para um rápido lanche. Em pouco tempo chegávamos a Varginha, felizes da vida com tudo o que tínhamos protagonizado e com uma sensação de que já estávamos há dias na estrada, tamanha a diversidade de tudo que vivêramos.

No hotel, cerveja à beira da piscina


Com Alfredo e Rodrigo, de Santos



Bikes no carro e... hora de voltar!

Foi, sem sombra de dúvida, um pedal memorável. O grande volume de quilometragem, o trajeto para nós inédito, ao menos de bike, e as serras que se interpuseram em nosso caminho tornaram-no um soberbo desafio. Nunca duvidamos de que seríamos capazes de vencê-lo, pois tínhamos, pelos treinos realizados, noção de que estávamos bem preparados física e psicologicamente.
Desde o início trabalhamos juntos na preparação do projeto como uma turma unida e solidária e não poderia ter sido diferente no evento em si: tudo saiu à perfeição. Todo o tempo andamos juntos, apoiando-nos uns aos outros, com um prazer indescritível de irmos, aos poucos, vencendo juntos a grande distância. Todos estiveram, todo o tempo, atentos aos outros, ora aumentando, ora diminuindo o ritmo, de forma que fomos, de fato, uma equipe. Tivemos um apoio magnífico, que nos deu a segurança necessária para que a nossa única ocupação fosse pedalar, o que nos permitiu uma grande concentração e, então, melhor desempenho. Nossa orientação nutricional saiu na medida, de forma que muitos contribuíram para o maravilhoso sucesso da viagem.
Com a conclusão desse projeto, temos a sensação de termos realizado um grande feito, mas surge uma sensação meio incômoda: e agora? E agora, ora essa, nossas mentes já estão ativas, pensando em novos projetos e novos desafios. Não sabemos quais serão, mas uma coisa é certa: com esse pessoal, sempre que algo for proposto e decidido, o sucesso será natural. É que os Bikessauros são assim mesmo, sempre ligando o pensamento à ação.


Rodrigo Silva

Fotos: Ary, Marcelo, Ronaldo e Rodrigo Silva



* * *

3 comentários:

Anônimo disse...

Show de relato Rodrigão.
Pelo visto aprendeu direitinho a colocar o relato no blog.
Parabéns e obrigado mais uma vez pela companhia e amizade nos pedais da vida.
Abraços, Ronaldo.

Anônimo disse...

parabens pelo relato rodrigo...q esse seja
o primeiro de muitos pedais de grande distancia...um abraco...

Reginaldo - Vulkanos disse...

Ao ver o relato de vocês, sentimos que a presença de Nossa Senhora ali era muito forte, conseguiram passar o que é viver com alegria. Conseguir transmitir isso ao leitor já fez do pedal, o seu maior objetivo, transmitir que a fé e união superam tudo, parabéns pela amizade e satisfação no viver.