terça-feira, 22 de abril de 2008

USINA DO XICÃO - 148,65KM, 95% por terra

Durante a semana, em conversa com o Hebert e o Silas, ficamos de escolher um trajeto para o sábado do feriado, dezoito de abril. Desta feita, queríamos um caminho que fosse bastante longo e pesado e que demandasse várias horas para ser cumprido, pensando que já estamos em treinar para um projeto futuro próximo. Com essas características, concluímos, nada melhor seria que fazer novamente o caminho que chamamos “Usina do Xicão” (é, com “x”, mesmo!). Quem já foi, sabe do que se trata. Um caminho com quase uma centena e meia de quilômetros, inúmeras e intermináveis subidas e com uma ascensão total que impõe respeito a qualquer um! Pusemos na página de discussão dos Bikessauros o que iríamos fazer e esperamos chegar o sábado. Um dia muito favorável se desenhou logo ao amanhecer, com muitas nuvens, temperatura amena (na realidade, bem cedo estava até um pouco frio...) e, calculamos, possibilidade quase nula de chuvas. No bikeponto, alguns sauros chegaram quase juntos, mas para a Usina do Xicão somente quatro queriam ir: Hebert, Ney, Silas e eu. Dessa forma, às 08:00h, partimos os quatro em direção à saída para a Wallita enquanto os demais seguiram para um pedal pelas cercanias da cidade. Entramos, como planejado, pela Wallita e seguimos por terra com o intuito de chegar à Fernão Dias defronte ao Batatinha. Infelizmente perdemos a saída para o Zé do Pato, que seria o correto, e passamos diretos adiante, por um caminho que, apesar de parecer estranho, não nos gerou impressão de erro. Quando atingimos a rodovia, percebemos que estávamos a vários quilômetros da saída para a estrada velha da Campanha, o que nos obrigou a um pedal asfáltico que não constava do plano original. Sem nenhum problema, entretanto, concluímos o trecho, voltamos a terra e, dali para frente, seguimos sem enganos. Fomos vencendo rapidamente os quilômetros até Campanha por um mar de morros sem fim até que, alguns quilômetros antes da nossa primeira parada oficial, o Restaurante do Coquinho, o Hebert, do nada, perdeu a roda da frente em uma pedra que estava em meio a um pequeno lamaçal e foi ao chão, inapelavelmente. Incrível, era uma reta e a velocidade não era grande mas, mesmo assim, nosso amigo sofreu contusões no ombro, joelho e canela esquerdos. Daquele ponto em diante o rendimento dele caiu pelas dores que sentia e, tão logo chegamos a Campanha, já com 57km vencidos, ele optou por pedir resgate. Almoçamos sem demora e nos despedimos, já que a distância restante era ainda demasiado grande. Seguimos então pelo tradicional sobe e desce do estradão que leva à usina, onde chegamos rapidamente, já com 79km percorridos. É sempre impressionante passar sobre a pequena ponte paralela à barragem e ver a grande altura que a água desce desde a represa até os dutos da turbina dessa obra cuja inauguração remonta aos anos 30 do século passado. Depois da escalada das trilhas moderadamente técnicas que sobem um dos morros que contornam o espelho d’água, despencamos por uma estradinha íngreme, cheia de valas, buracos e pedras e com curvas para lá de fechadas que conduz até as pequenas pontes que se localizam próximas à divisa dos municípios de São Gonçalo do Sapucaí e Monsenhor Paulo. Da divisa até o retorno à Fernão Dias fomos muito rapidamente, vencendo as numerosas e, às vezes, extensas subidas que existem por aqueles lados. Chegamos à rodovia com os Cateyes marcando 91km e, depois de vencidos poucos quilômetros de asfalto e após reabastecermos as caramanholas num posto das redondezas, saímos novamente pela terra em direção a Monsenhor Paulo, via Quinta Romena. Logo de cara, uma grande e íngreme subida foi enfrentada, mas havia ainda uma serrinha a ser transposta, o que foi feito por um subidão não muito inclinado, porém interminável. Assim, logo chegávamos a Monsenhor Paulo, onde resolvemos fazer uma parada. De fato, paramos na padaria credenciada, que agora está totalmente reformada (foi reconstruída, na realidade), e recarregamos as baterias com muito carboidrato e líquidos. Não houve limites para a comilança, pois até ali o gasto energético havia sido altíssimo e sabíamos que tínhamos ainda cerca de 35km até Varginha. Totalmente satisfeitos, rumamos à estrada velha de Monsenhor Paulo e imprimimos um fortíssimo ritmo, sem paradas, até que chegamos novamente ao ponto de partida, com 148,65km e 07h16min de pedal.

Foi, claro, um desafio, já que essa rota é, certamente, uma das mais pesadas e difíceis do nosso repertório. Deu gosto, entretanto, ver que, apesar da dificuldade, todos a vencemos com muita disposição. Uma pena que o Hebert não tenha podido concluir todo o trajeto, ele que, como sempre, era um dos mais entusiasmados com o evento e está em grande forma. Também em grande forma está o nosso amigo Silas que, com muita força e técnica, tirou até fumaça da sua bela bike. O Ney, com todo o seu preparo, também fez um pedal excelente, credenciando-se para novos desafios jurássicos. Eu, bem, tive que tirar força não sei de onde para acompanhá-los, mas ainda bem que também consegui chegar, como eles, ainda com sobras (poucas, é verdade...). Dessa vez não foi diferente e um treino fantástico, com muito esforço, superação e companheirismo aconteceu. Incrível a energia que sentimos após um pedal para aqueles lados. À medida que o treino progride e a quilometragem acumula, mais forte vamos pedalando. De onde provém essa energia? Não sei, mas, talvez, da própria Usina do Xicão...

Rodrigo Silva

PS: Quanto ao Hebert, no sábado mesmo ele passou por avaliação médica que confirmou que nada de grave havia, apesar das fortes dores. Já está medicado e em plena recuperação, devendo voltar à atividade ainda essa semana.

Um comentário:

Anônimo disse...

Rodrigão,
Pedalei com vocês neste maravilhoso e fiel relato. Emocionante.
Este trajeto é sensacional e desafiador. Imagino a sensação após o pedal e no dia seguinte.
Parabéns.
Abraços, Ronaldo.
P.S.: Mais uma vez errou o caminho, de propósito, para pedalar mais, he, he, he...