segunda-feira, 23 de junho de 2008

VARGINHA-PONTALETE ~90KM

Nesse sábado, 21 de junho, uns estavam indo para Maria da Fé para conhecer um caminho alternativo entre Cristina e Delfim Moreira, outros estavam engastalhados com o trabalho e, outros ainda, porque participariam de uma corrida no dia seguinte em Lavras, não deveriam estar conosco. Algum treino de respeito, em respeito ao sábado, entretanto, deveria ser feito: o Jeffinho, então, propôs que os remanescentes fizéssemos o tradicionalíssimo caminho até o Pontalete, ao que alguns logo aderiram. Sábado, sete horas da manhã, com um friozinho típico de início de inverno, encontramo-nos Ronaldo, Timba, Totonho e eu no bikeponto. Descobrimos então que o mentor do pedal, Jeffinho, não poderia, por problemas de última hora, ir conosco. Outras baixas se impuseram e, então, nós quatro saímos, com mais de meia hora de atraso, rumo a mais um fabuloso pedal.



O bikeponto nas primeiras horas da manhã


Os quatro intrépidos

Saímos em direção ao Parque Mariela e começamos a jornada pelo subidão que vai até o cemitério campal e de lá adentramos pela estrada de terra até cruzarmos a rodovia Varginha-Três Pontas, que seguimos por somente poucos quilômetros, até que chegamos à saída para o Pontalete. O dia estava muito bonito e a temperatura, excelente, animava-nos a pedalar a todo gás. Seguimos sempre sem paradas pelo interminável sobe e desce do caminho, desfrutando as paisagens muito belas que todos já conhecemos e, velozmente, fomos vencendo os aproximados 43km até o povoado.


Subidão próximo ao Pontalete


Caminhos de Minas

Pequeno e pacato como sempre, no Pontalete, como de costume, fizemos uma rápida parada num pequeno supermercado que fica na rua quase única que o rasga ao meio. Enquanto estávamos conversando e fazendo uma hidratação, atônitos, descobrimos que tínhamos sido furtados: uma das minhas luvas tinha desaparecido de cima do selim da minha bike sem deixar vestígios! Mais surpresos ainda ficamos quando a autora do sinistro foi identificada: um dos simpáticos moradores apareceu com minha luva e nos disse que uma cachorrinha a tinha levado. Não é que a danada se achegou e foi logo se enroscando e pedindo agrados? Engraçadinha, brincamos com ela até que vimos de longe que a balsa estava já atracando na margem da represa e exigia nosso embarque sem demora. Rapidamente descemos a ladeira até o cais e, quando fizemos a abordagem da embarcação, novamente ficamos surpresos: um sósia de um grande amigo e piloto de mountain bike a estava conduzindo! Camarada, o quase irmão gêmeo permitiu-me fotografá-lo para mostrar aos leitores jurássicos.



A simpática cachorrinha que levou minha luva


A represa vista do povoado


O piloto é sósia de quem?

A manhã estava particularmente bela. O céu, como de costume nessa época do ano, cobria-nos com um azul anil impecável e o sol, refletido no verde que se espraia sobre todas as terras que de lá se vêem, emprestava uma luminosidade quase surreal às paisagens. Algo de excepcional se mostrava, além disso: não sabemos se pela época do ano, por influência climática, ou talvez pela fase da lua, mas as águas da represa estavam completamente transparentes! É como se estivéssemos diante da mais bela piscina jamais construída! Tão claras estavam as águas que podíamos ver até mesmo detalhes do relevo subaquático. O enorme espelho d’água, refletindo o azul do céu, estava deslumbrante e, não fossem os belos morros atapetados de verde, não seríamos capazes de dizer exatamente onde o céu encontrava o lago...


Vista do Pontalete desde a represa


Ilha na represa


Demais!

Tão logo terminamos a travessia, iniciamos a longa subida que termina no Zoca. Da margem da represa até a escolinha que se situa nas proximidades do famoso eucaliptal há uma distância de cerca de 11,5km, com algumas descidas curtas e muitas subidas longas, alguns trechos delas com inclinações que impõem respeito. Subimos num ritmo forte, com o grupo coeso e entusiasmado e, com uma média de 18,8km/h chegamos à escolinha cuja venda defronte, para nossa tristeza, estava fechada. Não houve remédio senão tomarmos a água que verte de uma torneira, mas que, todos afirmam, é água de mina das mais puras...



O Timba saciando a sede


O Zoca visto de um ângulo incomum


A comemoração no Pingüim

Da escola vê-se, por trás, o Zoca. Muito interessante vê-lo por outro ângulo, ele que, onipresente, guarda de longe a cidade de Varginha. Retomamos o pedal e seguimos em direção a Elói Mendes
até a saída para a Ilha do Salto que, tomada, conduziu-nos até a olaria do entrocamento para o sítio do Totonho. Lá ficou a dupla Timba e Totonho, que tinha combinado um churrasco no sítio. Ronaldo e eu seguimos, então, firmes, até a rodovia Varginha-Elói Mendes, contornamos a Ponte dos Buenos e tomamos o rumo da subida dos tobogãs, sítio do Hélcio e, novamente, cemitério campal. Tão bom tinha sido o treino que, resolvemos, comemoraríamos a sua realização no Pingüim. Logo após tomarmos o primeiro chope chegaram, quase simultaneamente, Dema e Fabinho, também muito satisfeitos com os treinos que tinham feito. Longamente, então, conversamos sobre coisas que são importantes e têm relevância para nós - os pedais, a vida, o Zoca, a represa... Represa... Bela e grande represa! Somente não grande o suficiente para conter toda a vertente de emoções que brota dos corações jurássicos cada vez que de novo percorremos e confirmamos posse e paixão pelos nossos caminhos.

Rodrigo Silva



2 comentários:

Anônimo disse...

Rodrigo, maravilha de relato.
Lendo, revivi os momentos agradáveis que passei na companhia dos bikessauros. Caminhos belíssimos com campos verdejantes, represa com águas cristalinas e transparentes. Um céu azul de babar. Pedal constante e forte. Bom papo e chopinho no final. Ooooo vidão!!!
Obrigado Rodrigo, Timba e Totonho.
Abraços, Ronaldo.

Reginaldo - CicloVulcano disse...

Rodrigo , rapaz cuidado desse jeito a Globo te leva, se cuida Galvão..........grande abraço amigão - e aos intrépidos muitos pedais como esse, deu água na boca .