segunda-feira, 4 de maio de 2009

VARGINHA-SÃO LOURENÇO VIA FREITAS (N) – 120KM


Sempre é muito bom fazer e refazer velhos caminhos, como diz nosso amigo Ronaldo. Tanto é verdade que, mais uma vez, resolvemos reeditar o pedal até São Lourenço passando por Freitas. No dia primeiro de maio, após intensa conversação para verificação de interessados em tomar parte na viagem (tem gente aí que não atende ao telefone de jeito nenhum...), encontramo-nos no bikeponto eu, Adilson, Clever, Hebert, Ronaldo e Silas, pontualmente (ou quase...) às 7:00h. Apareceu também, para nossa surpresa, o Bigorna que, de mala e cuia se dirigiria a Passa Quatro e, sabendo que estávamos de saída para São Lourenço, resolveu seguir viagem conosco para depois terminar de chegar ao seu destino final. Dessa forma, saímos por volta das 7h30min, fomos em direção a Flora, de onde seguimos à Fernão Dias por terra pelo caminho que leva até o trevo de Três Corações, onde chegamos por asfalto e logo atingimos a “estrada velha de São Thomé”. Com o pessoal pedalando de uma forma forte e bastante homogênea, chegamos muito rapidamente às margens do Rio Verde. Para nossa felicidade, dessa vez a balsa estava lá e não teríamos nem que atravessar o rio a nado, como nas duas últimas vezes, nem seguir por um caminho alternativo até Conceição do Rio Verde, bem mais longo e repleto de grandes subidas. Tudo estava dando certo e até mesmo o balseiro logo apareceu e atravessou-nos à outra margem. Uma pena foi constatar que a venda que se localizava na antiga estação ferroviária de São Thomé fechou. Sorte que, a uns 500m adiante, nova venda foi estabelecida e pudemos aplacar a sede.




A turma no bikeponto



Cruzando o Rio Verde



O Mundial na balsa


Em frente à nova venda credenciada

Num ritmo forte e contínuo atingimos Conceição do Rio Verde mas optamos por, diferentemente das outras vezes, não almoçar, já que era ainda muito cedo. Seguimos então diretos ao Clube PI, tomamos a rodovia em direção a Caxambu e, poucos quilômetros adiante, entramos por terra para Freitas. Paramos, entretanto, em um restaurante na beira do asfalto onde havia uma comida mineira de primeira, feita em fogão à lenha, mas nem assim quisemos almoçar, sem fome que estávamos. Uns Gatorades vieram na justa medida e seguimos viagem, atingindo Freitas num piscar de olhos. É impressionante como um lugar tão pequeno e tão simples possa ser tão atrativo. Talvez seja pela história do local que já foi, conforme dito em um relato anterior, importante entroncamento ferroviário. Tiramos umas fotos por lá e seguimos em direção a Soledade de Minas que, para ser conquistada, impunha-nos o derradeiro obstáculo: a subida de 6km para atingir-se o topo da serra, ora mais íngreme, ora menos, mas sempre um desafio, já que se começa a subi-la já praticamente com 100km de pedal. Cada a seu tempo, todos a venceram e iniciaram a perigosa descida em direção a cidade, cheia de pedras e pedregulhos, buracos e valas. Lá embaixo verificamos que um dos jurássicos não tinha chegado. Dado a descida muito veloz e perigosa, tememos que ele pudesse ter-se estatelado no chão e decidimos, após alguns minutos de espera, escalar novamente a serra, dessa vez pelo lado contrário, à sua busca. Poucos quilômetros acima encontramo-no já descendo, e, ainda bem, sem um arranhão sequer. A explicação era que teria se perdido lá encima e, pelo chão pedregoso, não encontrou rastros e não sabia o caminho correto. Encontrado o sumido, cruzamos Soledade em direção a estação ferroviária local, de onde o Bigorna separou-se da turma para pegar o asfalto rumo a Passa Quatro.


A estação ferroviária de Soledade

Tomamos, a partir de lá, o fantástico single track com cerca de 10km que margeia a linha férrea até a Estação Parada Ramon. É magnífico esse pedaço do trecho. Paisagens lindas sucedem-se ao longo do caminho em que se vê, serpenteando a trilha pelo lado direito, um riacho que ora chega bem perto, ora faz um meandro e graciosamente esconde-se atrás da mata - quem já passou por lá sabe o quanto é bom finalizar esse estupendo pedal seguindo essa trilha. Vinha pensando em quantas vezes já tínhamos passado por lá e também na primeira vez, quando falei de trens que em tempos remotos por lá apitavam quando, subitamente, um agudo silvo cortou o ar – êpa, era mesmo um apito, dessa vez! Para nosso espanto e surpresa vinha, no sentido contrário, um comboio constituído por uma maria fumaça e três vagões – era o trem turístico, grande atração local, que estava apinhado de turistas dependurados em suas janelas. Desprevenidos, não sabíamos se daria para ficar na trilha com segurança e então não tivemos dúvidas, pulamos das bikes e nos afastamos o mais que podemos da linha. Tão depressa foi que nem muitas fotos conseguimos obter. Tão rapidamente como surgiu, o trem desapareceu entre os morros, levando pessoas que, também surpresas, despediam-se de nós efusivamente. Foi, sem dúvida, um dos pontos altos do dia. Avançamos, eufóricos, rumo ao centro de São Lourenço onde, sabíamos, estava havendo um Mega Cycle. Claro que a cidade estava lotada de gente, carros, ônibus e, lógico, motos de todos os tipos, numa confusão enorme e com um congestionamento monstro. Nessa hora é que vimos como é mais fácil deslocar-se nesses ambientes em uma bicicleta: passamos por aqui, desviamos por lá e estávamos, sem demora, na lanchonete credenciada e logo comemorávamos mais uma versão do Varginha-São Lourenço por terra. Quase uma hora após chegaram as nossas apoiadoras, Alessandra e Andreza, acompanhadas dos kidsauros Caio e Túlio e dos primos do Silas, Alexandre e sua esposa, que tinham vindo de Belo Horizonte passar o feriado com o nosso amigo. Muitos sanduíches, cervejas e sucos foram apreciados até que chegou, já à noite, a hora de retornarmos a Varginha.

O trem turístico


Prova de muito esforço


Os Bikessauros em São Lourenço

Espetacular - só assim podemos definir o pedal Varginha-São Lourenço. Além de ser um dos mais belos e interessantes caminhos jurássicos, tivemos, nesse dia, vários fatos que o tornaram especial, como a sempre emocionante travessia do Rio Verde, o reencontro com a linha férrea e o inédito encontro com o trem. Não tenho dúvidas, porém, que um dos mais marcantes foi a presença do Adilson em nosso meio, ele que andava meio sumido... Como sempre, deu gosto ver a vitalidade do Silas, a alegria do Bigorna, a valentia do Clevinho, o entusiasmo do Hebert e a curtição do Ronaldo. Foi tão bom que, à medida que nos aproximávamos de São Lourenço, a espectativa aumentava, mas dava, ao mesmo tempo, uma certa tristeza porque a viagem estava chegando ao fim... É que, por mais que a façamos e refaçamos, resta sempre uma sensação de que nela há mais para ser vivido, sentido e compartilhado... talvez seja como um oráculo que vai, a cada vez, dando a conhecer diferentes nuances de uma mesma verdade... entre dois pontos, infinitos pontos!...

Rodrigo Silva

5 comentários:

Anônimo disse...

Galera, parabéns mesmo, pedal maravilhoso esse de vocês, os lugares são de tirar o fôlego, as fotos lindas e o texto muito bem escrito. Tenho acompanhado sempre os relatos de vocês, que além de nos proporcionar ótimas histórias, nos incentivam cada vez mais. Bom pedal á todos e que Deus os proteja!

Frederico Barbosa
Brumadinho MG

Anônimo disse...

Valeu, Frederico! Muito simpática a sua mensagem - agradeço, pelos Bikessauros, os elogios. Que bom que amantes das bikes têm acompanhado as atividades "jurássicas"! Deixe, se possível, um endereço eletrônico para contato.
Boas pedaladas!

Rodrigo Silva

Anônimo disse...

Excelente relato meu amigo,não é fácil encontrar um grupo disposto e homogênio para enfrentar um desafio como este, mantivemos uma média de 20 km/h ao longo das 6 horas de pedal, por isso agradeço a todos os amigos que compartilharam comigo essa
aventura, abraço a todos!!!
Adilson.

Anônimo disse...

Lindo relato, Rodrigo!
As fotos também estão de uma nitidez maravilhosa!
Parabéns a todos por mais esta aventura!
Luisa

Anônimo disse...

Rodrigo,
Que maravilha de relato.
Revivi os bons momentos desta aventura em suas frases tão bem escritas.
Que Deus nos permita fazer este caminho por muito e muito tempo.
Abraços, Ronaldo.