terça-feira, 11 de maio de 2010


PEDAL DE SÁBADO, 08 DE MAIO - A TRILHA DA CAVEIRA

Para quase todo mundo, quando se fala em caveira, logo vem à mente coisas macabras, filme de terror ou qualquer coisa parecida. Ok, para qualquer bikessauro, falar de caveira é falar do magnífico trecho que, entre estradões e trilhas, forma a Trilha da Caveira. Todos nós, ou praticamente todos, já fizemos esse percurso inúmeras vezes e sabemos como é variado, técnico e pesado. Pois nesse sábado, um numeroso grupo reuniu-se na fonte para o melhor pedal da semana e logo várias opções foram apresentadas: um grupo faria o Pontalete, outro o Mutucão e outro, ainda, a Mutuquinha. Todas são excelentes opções, sem dúvida, mas, com vontade de fazer umas trilhas e pelo sol forte que se prenunciava pelo puríssimo azul do céu e pela já alta temperatura às oito da manhã, resolvemos Hebert, Rodrigo Sanches, Rodrigo Silva e Totonho, encarar mais uma vez a tradicional trilha.

Iniciando os trabalhos


Totonho e Hebert; ao fundo, Varginha (aumente a foto)

Como sempre, a primeira pirambeira quando se deixa o asfalto na Cidade Nova e se ruma para o riachinho estava diferente da última vez que passamos por lá: duas pedras, uma delas grande e bem alta, estavam bem no meio da primeira curva e, como resultado, um colega mais apressado passou direto e protagonizou a primeira de algumas quedas que, inevitavelmente, surgiriam. Todo o trajeto de pequenas estradas e alamedas de cafezais foi sendo rápida e divertidamente vencido, até que iniciamos uma trilha morro acima com mato tão fechado, tão cheio de galhos, arranha-gatos e arbustos, que quase nos fez desistir e procurar um caminho alternativo. Quase, mas fomos firmes e logo estávamos novamente seguindo pelos sensacionais single tracks Serrinha acima. Do topo, atingimos a trilha da Boca da Onça que também está bem mais divertida, já que surgiram degraus e muitos buracos e valetas em todo o trajeto que conduz à fazendinha onde habitualmente paramos para pedir água. Lá, além de água, um colega nosso pediu também penico e desistiu de seguir conosco, preferindo seguir pelo estradão. É, não é mole não!...


O impensável: Hebert abrindo uma tronqueira!


Uma embrenhada trilha


Rodrigo Sanches e Hebert em meio a mata

Na sequência subimos, conforme a tradição, a trilha da Fumaça, cujo início, aliás, está, apesar de repleto das enormes valetas, mais pedalável que de costume. Após o cocho, subimos aquelas ribanceiras à esquerda, logo passando a entrada da Boca da Onça, local de onde começamos a voltar. As intermináveis subidas ficaram, àquela hora, ainda mais custosas, dado o sol escorchante que se tinha estabelecido e que não dava folga, fazendo com que os dinossauros suassem como cavalos de bandidos... Quando atingimos a cota mais alta de todo o trajeto, avistamos, não tão longe assim, a cidade de Varginha, inacreditavelmente formosa sobre os característicos morros da nossa região. É incrível, já tínhamos passado por lá tantas vezes e nunca nos tínhamos dado conta de quão bela e aprazível é a nossa cidade...

Uma subida bem complicada...

A nossa cidade ao fundo


Bela vista, com Varginha ao fundo

Já tinha dito sobre o trecho de mato cerradíssimo pelo qual havíamos subido – bem, agora o sentido era inverso e tínhamos de descê-lo. Foi o que fizemos mas, dado a grande inclinação, a velocidade atingida era maior e, então, sem muito o que fazer para evitá-lo, levamos lambadas de galhos e folhas em todo o corpo, que resultaram em inúmeros arranhões e alguns hematomas – olha, parecia que tínhamos levado uma verdadeira surra!
A certa altura, numa determinada reta, observamos que o Totonho estava pedalando de uma forma sincopada, meio que com pequenos reboleios ou solavancos que ele próprio notou e comentou. Para nossa surpresa, a banda de rodagem do seu pneu traseiro estava totalmente torcida, formando um “S”, com um ponto central de onde vazava líquido selante, tudo isso sem que houvesse nem sinal de empenamento do aro! Nunca tínhamos visto algo semelhante mas, ainda bem, além dos pequenos solavancos e de um ruído feito pelo raspar do pneu na corrente, nada mais atrapalhava e, assim, nosso amigo pode seguir adiante em sua Flecha Negra.

O incrível "S" do pneu do Totonho

Num instante atingimos novamente o bairro Cidade Nova, fizemos a subida do “seu” Justo e, finalmente, com uma alegria característica de quem, mais uma vez, supera um obstáculo e tanto, chegamos ao Albanos, onde já estavam as turmas que tinham feito o Mutucão e a Mutuquinha.
Um espetáculo – somente assim posso qualificar esse incrível pedal de 37km, vencidos todos eles com energia e com a companhia fantástica desses amigos de sempre, que tornaram, os amigos e o caminho, especial aquele sábado. Quiséramos nós que todos os dias pudessem ser assim tão plenos... Já que isso não é possível, ficamos então sonhando com o próximo sábado, quando, certamente, mais um eletrizante pedal acontecerá.

Rodrigo Silva

Fotos: Rodrigo Sanches e Totonho





2 comentários:

CicloTP disse...

Sou ciclista em Tres Pontas e acompanho sempre o blog de vcs! Estão de parabéns! Gostaria de deixar uma sujestão: colocarem nas postagens os caminhos das trilhas que vocês fazem, em arquivos que possam ser abertos no Google Earth... Seria legal para todos os visitantes que desejam se aventurar pelas trilhas de Varginha! FLW!

Anônimo disse...

Tem razão, caro colega trespontano, vamos ver alguém de nós que o saiba fazer - quem sabe, em curto prazo, isso poderá estar ou nas postagens ou, talvez, em um link específico.

Abraço a todos os CicloTP.

Rodrigo