sexta-feira, 24 de junho de 2011

Volta dos 80 - A desossa versão II - Itamonte - Junho /2011

Ainda sob efeito deste pedal épico tento fazer o impossível, passar com palavras o que vivemos ontem.A Volta dos 80 é um caminho que a cada dia se torna mais famoso e visitado pelos amantes da natureza. Inicia e termina na cidade de Itamonte. Corta as montanhas da região, boa parte no Parque Nacional do Itatiaia.
É impressionante o visual do local. As estradinhas serpenteam as montanhas, cruzam pequenos vilarejos como Campo Redondo, Fragária, Serra Negra e Vargem Grande. As subidas são um capítulo a parte. Íngremes e longas. Um montão delas. As descidas por sua vez, técnicas como muitas pedras e valas.
Este caminho é visitado há 6 anos pelos Bikessauros. A cada edição, nova variação do percurso é sugerida. Tradicionalmente a Volta dos 80 é feita sentido anti-horário partindo de Itamonte para a Garganta do Registro pelo asfalto. Em uma das edições, o grupo resolveu inovar e buscar um caminho que evitasse o asfalto. Conseguiram descobrir uma trilha fantástica, mas ralaram muito para subi-la. Em outra edição, mais recente, surgiu a idéia de fazer a volta sentido horário e descer por esta trilha. Denominamos de Volta dos 80, a desossa. E foi esta a nossa aventura em 23 de junho de 2011.

 O Caminho

Em um lindo dia, quando nem a mais leve nuvem cobria o céu, o grupo formado por Luizaaaão (A Enciclopédia da Bike), Ronaldo Mister Bean, Beto Peraí, Bregalda Chuck Norris, Pantufa, Bruno Capitólio , Felipão (Carro Mamute e Bonde Sem Freio) , Argentino (O Sem Freio), Sérgio seu irmão, Serjão (O comedor de insetos), Rodrigo Silva (Chorão, Discípulo do Totonho), Silas Malafaia e Adilsão 30x, partiu do Posto Tiger às 07h rumo as terras altas da Mantiqueira.

O grupo

Viagem tranqüila e depois de um rico café na padaria local a trupe partiu pela estrada Itamonte-Alagoa. Sempre em subida, ora asfaltada, ora bloquetada e por fim terra. Abandonamos a estrada para Alagoa pela direita e seguimos sentido Campo Redondo. Pelo caminho ficamos impressionandos com a devastação ao redor do leito do rio. Inúmeras trombas d’água derrubaram árvores inteiras em sua maioria araucárias, abundante na região. Mais para frente uma esperança, observamos a atuação sábia da mãe natureza, que em seu tempo, se regenera. Parada obrigatória no Bar Barbosa para repor os líquidos perdidos após 30 km e 1.000 metros de ascendência.
Nossos anfitriões preparam um delicioso franguinho, caipira da gema, que foi devorado pelos Bikessauros em segundos. Já sabíamos, mas mesmo assim perguntamos para a dona do bar como era o caminho do Campo Redondo para a Pousada dos Lobos. A foto abaixo descreve como ninguém o desafio dos próximos 20 km, rs.

Como é o caminho daqui para frente?
Saímos em subida, só para variar e logo paramos para contemplar a primeira grande queda do rio Aiuruoca, a cachoeira da fragária com aproximadamente 110 metros. Nesta época do ano o verde não é tão imenso, mas o dia é claro e as águas estão limpas. Tiramos várias fotos e cada um, no seu tempo, despencou rumo ao Vilarejo da Fragária.

Cachoeira da Fragária

Dali para frente as subidas são intermináveis e longas. Em vários trechos da estrada foi necessário colocar calçamento para possibilitar a tração dos veículos. E por que não das bikes também, rs. Sob os olhos curiosos e incrédulos dos nativos passavam os Bikessauros a 5 km/h cadenciando com maestria o pedal. Coração ritmado, em alguns momentos queria sair pela boca e era engolido rapidamente de volta. Os trechos de recuperação eram escassos e o silêncio tomou conta dos intrépidos. Alguns contavam as pedrinhas do caminho para enganar o sofrimento. Outros se concentrava no giro perfeito pois qualquer distribuição de peso errada, a bike seguia o caminho da vala. O sol castigava o lombo, mas o foco dos escaladores era o alto, afinal como bem disse o Luizão: Só o cume interessa.

Subidas intermináveis

Todos em seu tempo e com louvor conseguiram ultrapassar os 2.000 de altitude. Próximo a pousada dos Lírios, o grupo despediu do Serjão e sua família que iam pernoitar na linda Pousada dos Lírios e também do Argentino e seu irmão Sérgio que iam seguir pelo Brejo da Lapa e depois descer pelo aslfato a partir da Garganta do Registro até Itamonte.
Sem demoras o grupo pegou a trilha à direita da Pousada dos Lobos. Um breve pit-stop para completar a água em um lindo riacho e um novo pedal descortinou a partir dali. A estradinha deu lugar a uma trilha técnica inicialmente em subida e depois predominantemente em descida. O sol sumiu na mata fechada e a temperatura caiu rapidamente para 15 graus. Esta época do ano a trilha está seca. É sem dúvida a melhor condição para fazer este caminho de burro como muitas pedras e árvores caídas. Mesmo assim a trilha se mostrou pedalável na maioria do percurso. Se estivesse limpa das árvores caídas e dos galhos seria um chua. Na superação dos limites individuais alguns jurássicos negociaram terrenos. Nada mais natural para quem quer curtir este momento único. Sem gravidade e motivo de muitas risadas.

A trilha
A técnica jurássica.
Reunimos na saída da mata e a trilha deu lugar a uma estradinha cheia de curvas, várias pontes de madeira, brejos de barro duro, bambus e galhos. Sempre em descida a estradinha contornava os morros e foi alargando até o asfalto. A noite chegou rápida e fizemos os 10 km finais sob últimos raios solares. Chegamos em Itamonte às 18h, comemos um pouco na padaria local e logo retornamos para Varginha. Comemoramos o pedal no Pinga com Torresmo. Lá percebi um momento que representa bem este pedal.
Enquanto todos estavam comemorando, observei o Bregalda estático. Seus olhos estavam fixos no além e com um sorriso maroto na boca. Cheguei ao seu lado e ele me confidenciou que foi um dos melhores pedais da sua vida. - Ronaldo, como explicar o desafio das subidas e aquela trilha magnífica? Então eu disse: - Não tem jeito, só indo lá.

Parte do grupo na saída na mata

Este é o relato.
Abraços, Ronaldo.

Score:
Ascendência total: 2.005 metros
Quilometragem: 66 km
Tempo de pedal: 5h

Fotos:
Roberto:
https://picasaweb.google.com/107629149585159328695/VoltaDos80ItamonteADesossa?authkey=Gv1sRgCKK7r5bqp8OrVQ#
Ronaldo:
https://picasaweb.google.com/bikessauros/AVoltaDos80ADesossaIIItamonte?authkey=Gv1sRgCKCTu4P8j6_ANA#slideshow/5621823472106196786
Argentino:
 

quarta-feira, 15 de junho de 2011

Piloto AP X (Real) - junho/2011

Emoção, prazer, amizade e companheirismo estiveram presentes no último final de semana, no 1º Piloto AP X, no trecho da Estrada Real entre São Lourenço/MG e Cruzeiro/SP. Era um pedal justo e necessário para procurar hospedagens e fazer o reconhecimento do percurso novo decidido pela Comissão 2011, protagonizado pelos intrépidos Ronaaldo, Roberto, Silas e Luizão, apoiados pela Andreza, a sem casaco, Alessandra e Dilson, pai do Luizão.


A primeira parada do sábado, dia 11/06/2011, foi na Pousada Bela Vista, em São Lourenço, onde houve visita às instalações, que causaram ótima impressão no grupo.
De lá, conforme programado, iniciou-se o pedal. Antes, porém, Luizão notou que havia uma horrenda bolha no pneu traseiro de sua bike e, aconselhado pelos demais, resolveu seguir de carro até a loja do Thimas e do Léo, Velo Sport, a fim de adquirir um novo pneu. Isso consumiu um bom tempo e somente próximo às 11 h os intrépidos tomaram o rumo de Passa Quatro.
O percurso, já conhecido do Ronaaldo e do Silas, é leve porém com muitos "singles tracks", principalmente a partir de São Sebastião do Rio Verde, a aproximados dois quilômetros de Pouso Alto. Seguiu-se, ora serpenteando pelos trilhos desativados, ora pela estrada marginal. Logo, surgiu a periferia de Itanhandu e, quando menos se esperava, 55 Km depois estava-se em Passa Quatro. Como era ainda cedo, próximos às 14 h, havia a idéia de se continuar o pedal até a Garganta do Embaú e se fazer a sonhada descida. Entretanto, de comum acordo, resolveu-se aproveitar mais o lugar, as companhias e as compras na Harpia, loja de bikes e afins e demais acessórios para esportes radicais, do Alessandro, ex-sócio do Léo (o da Velo Sport, de São Lourenço).
Antecedendo o quarteto do pedal, Andreza, a sem casaco, e Dilson reservaram hospedagem na Pousada Ecos da Montanha, do Roberto e da Célia, forte candidata a hospedar as bikessauras na aventura de novembro.

A noite fria da Serra da Mantiqueira foi um capítulo à parte. Recomendados pelo Roberto da pousada, o grupo saiu à procura de uma tal pizzaria do Mauro que, na verdade, chama-se Empadas La Motta. Antes, porém, todos passaram no mercado para comprar algumas garrafas de vinho, pois foram avisados que o Mauro, sujeito de boa prosa, não servia bebida alcoólica, mas não se incomodava que o cliente levasse a sua, desde que não desse vexame. O que se sucedeu foram momentos de muito prazer: sublimes e incomparáveis empadas, pizzas saborosas entremeadas com goles de vinho e papo animado.
Antes de seguirem para a pousada ainda sairam para uma caminhada, passando por uma festa junina, onde rolaram algumas fotos. Extenuados e com frio, todos se recolheram aos seus quartos, para debaixo das cobertas, claro. Alguns pensando na famosa e esperada descida até o Vale do Paraíba.

O domingo, 12/06/2011, amanheceu frio, porém com céu limpo e com muito sol, ou seja, ideal para a segunda perna daquele pedal. Logo após o excelente café da manhã e algumas providências com conta e bagagem, o quarteto zarpou margeando a linha férrea, quinze minutos antes da "maria fumaça" que sai de Passa Quatro, passa pela Estação Manacá e vai até a Estação Coronel Fulgêncio, que fica a 12 Km de distância, na boca do túnel, na Garganta do Embaú, onde os quatro chegaram, pelo menos, quarenta minutos antes do trem turístico.

Neste momento, há duas coisas para se contar, sobre o trem e sobre o túnel.
O primeiro é uma perfeita maria fumaça à lenha, fabricada em 1925, na Philadelphia, acompanhada de dois vagões muito conservados. É ela que aparece naquela minissérie Mad Maria, da Globo, estória ambientada em Rondônia.
Já o túnel de 1 Km de extensão, inaugurado pelo Imperador D. Pedro II junto com a ferrovia, teve seu momento histórico na Revolução Constitucionalista de 32 (julho a outubro), quando foi lugar de confronto entre as tropas paulistas e as tropas federais.
Os constitucionalistas tinham por objetivo a derrubada do Governo Provisório de Getúlio Vargas e a promulgação de uma nova constituição para o Brasil. Foi uma resposta paulista à Revolução de 1930, a qual acabou com a autonomia de que os estados gozavam durante a vigência da Constituição de 1891. A Revolução de 1930 impediu a posse do ex-presidente do estado de São Paulo, Júlio Prestes, na presidência da república, vaga com a derrubada de Washington Luís, que colocou fim à República Velha, invalidando a Constituição de 1891 e instaurando o Governo Provisório, chefiado pelo candidato derrotado das eleições de 1930, Getúlio Vargas. Naquela região da Mantiqueira ocorreram combates violentos com intuito de dominar aquele ponto estratégico: o túnel e a ferrovia, que permitiriam o controle do acesso ao Sul de Minas. Os paulistas invadiram Passa Quatro, que foi posteriormente tomada pelas tropas leais ao Governo Vargas. A fim de conter o avanço das tropas federais, os paulistas descarrilaram na boca do túnel a locomotiva 51.
Bom, os paulistas perderam e, curiosamente, comemoram o 9 de julho, que marca o início do conflito; em 1934 foi promulgada uma nova Constituição; e Getúlio se manteve no poder até 1945. Voltou depois, mas aí já é outra história.

Após esperarem o trem chegar, pois os intrépidos queriam conhecê-lo, e uma sucessão de fotos, impregnados de história entraram túnel escuro, seguidos de longe pelos turistas que sairam dos vagões e pararam na entrada, talvez temendo a "galha e o alien jurássico", pois seus gritos ecoavam na escuridão, assim foram, discutindo aqueles fatos históricos e, decerto, seguidos de fantasmas do passado.

Uma luz muito tênue brilhava ao longe, nas duas direções. O grupo se encontrava no meio do túnel. Apesar da escuridão, sentia-se a umidade que brota do teto e das paredes, além da água que corre pelas laterais. Não se tinha lanterna, e mesmo que se tivesse seria difícil pedalar. Empurrando as bikes as passadas eram rápidas e cuidadosas, pois o risco de uma torção entre os dormentes gastos pelo tempo e os buracos é grande. Aos poucos, a claridade foi aumentando, até que os quatro se viram no estado de São Paulo, sós, a 1.185 metros de altitude, cercados de montanhas e com o Vale do Paraíba à frente.

Após alguns instantes de contemplação e algumas fotos, deu-se início à sonhada descida, que começa difícil, devido às pedras soltas ainda da linha férrea e à vegetação fechada, melhora em alguns pontos, mas volta a piorar pelas muitas valas, talvez pelas últimas chuvas. Segundo o Ronaaldo, nas outras vezes que desceram a trilha estava bem melhor. Contudo, logo se chega a uma pequena estrada e coisa melhora bastante.

No asfalto entre Cruzeiro e Canas o quarteto foi resgatado pelas apoiadoras e, após o almoço num restaurante em Itanhandu, deu-se o retorno a Varginha.

A impressão que ficou, percorridos aproximados 85 Km a partir de São Lourenço, é que o pedal é tranquilo e, para dividir melhor o percurso, o ideal é que o grupo Aparecida X se hospede na segunda noite em Cruzeiro.

Confiram mais fotos no link abaixo:


Texto:
Luiz A Nogueira
Fotos:
Ronaaldo Figueiredo e Roberto Rivera

quinta-feira, 2 de junho de 2011

Pedal noturno de quarta-feira

Mantendo a tradição, ontem, eu, Mano Marcelo, Luizaaao, Pantufa e Dondinho (Super Boy) fizemos os De Luca em ritmo acelerado e sem paradas.
O céu estava estrelado e o frio era percebido em algumas baixas onde não havia possibilidade de pedalar. Não que afetou o grupo que estava bem agasalhado.
Como sobrou algum, Luizaaao resolveu investir em um terreno na descida do Ventilador e com isto garantir sua aposentaria, rs.
Foram 40 km em 2 horas de pedal.
Eu e Luizão dodoi fizemos um breve pit-stop no ex-bar Homeni e bebemoramos o pedal com alguns chopps da Backer.
Vejam algumas fotos.





Abraços, Ronaldo.