quarta-feira, 15 de junho de 2011

Piloto AP X (Real) - junho/2011

Emoção, prazer, amizade e companheirismo estiveram presentes no último final de semana, no 1º Piloto AP X, no trecho da Estrada Real entre São Lourenço/MG e Cruzeiro/SP. Era um pedal justo e necessário para procurar hospedagens e fazer o reconhecimento do percurso novo decidido pela Comissão 2011, protagonizado pelos intrépidos Ronaaldo, Roberto, Silas e Luizão, apoiados pela Andreza, a sem casaco, Alessandra e Dilson, pai do Luizão.


A primeira parada do sábado, dia 11/06/2011, foi na Pousada Bela Vista, em São Lourenço, onde houve visita às instalações, que causaram ótima impressão no grupo.
De lá, conforme programado, iniciou-se o pedal. Antes, porém, Luizão notou que havia uma horrenda bolha no pneu traseiro de sua bike e, aconselhado pelos demais, resolveu seguir de carro até a loja do Thimas e do Léo, Velo Sport, a fim de adquirir um novo pneu. Isso consumiu um bom tempo e somente próximo às 11 h os intrépidos tomaram o rumo de Passa Quatro.
O percurso, já conhecido do Ronaaldo e do Silas, é leve porém com muitos "singles tracks", principalmente a partir de São Sebastião do Rio Verde, a aproximados dois quilômetros de Pouso Alto. Seguiu-se, ora serpenteando pelos trilhos desativados, ora pela estrada marginal. Logo, surgiu a periferia de Itanhandu e, quando menos se esperava, 55 Km depois estava-se em Passa Quatro. Como era ainda cedo, próximos às 14 h, havia a idéia de se continuar o pedal até a Garganta do Embaú e se fazer a sonhada descida. Entretanto, de comum acordo, resolveu-se aproveitar mais o lugar, as companhias e as compras na Harpia, loja de bikes e afins e demais acessórios para esportes radicais, do Alessandro, ex-sócio do Léo (o da Velo Sport, de São Lourenço).
Antecedendo o quarteto do pedal, Andreza, a sem casaco, e Dilson reservaram hospedagem na Pousada Ecos da Montanha, do Roberto e da Célia, forte candidata a hospedar as bikessauras na aventura de novembro.

A noite fria da Serra da Mantiqueira foi um capítulo à parte. Recomendados pelo Roberto da pousada, o grupo saiu à procura de uma tal pizzaria do Mauro que, na verdade, chama-se Empadas La Motta. Antes, porém, todos passaram no mercado para comprar algumas garrafas de vinho, pois foram avisados que o Mauro, sujeito de boa prosa, não servia bebida alcoólica, mas não se incomodava que o cliente levasse a sua, desde que não desse vexame. O que se sucedeu foram momentos de muito prazer: sublimes e incomparáveis empadas, pizzas saborosas entremeadas com goles de vinho e papo animado.
Antes de seguirem para a pousada ainda sairam para uma caminhada, passando por uma festa junina, onde rolaram algumas fotos. Extenuados e com frio, todos se recolheram aos seus quartos, para debaixo das cobertas, claro. Alguns pensando na famosa e esperada descida até o Vale do Paraíba.

O domingo, 12/06/2011, amanheceu frio, porém com céu limpo e com muito sol, ou seja, ideal para a segunda perna daquele pedal. Logo após o excelente café da manhã e algumas providências com conta e bagagem, o quarteto zarpou margeando a linha férrea, quinze minutos antes da "maria fumaça" que sai de Passa Quatro, passa pela Estação Manacá e vai até a Estação Coronel Fulgêncio, que fica a 12 Km de distância, na boca do túnel, na Garganta do Embaú, onde os quatro chegaram, pelo menos, quarenta minutos antes do trem turístico.

Neste momento, há duas coisas para se contar, sobre o trem e sobre o túnel.
O primeiro é uma perfeita maria fumaça à lenha, fabricada em 1925, na Philadelphia, acompanhada de dois vagões muito conservados. É ela que aparece naquela minissérie Mad Maria, da Globo, estória ambientada em Rondônia.
Já o túnel de 1 Km de extensão, inaugurado pelo Imperador D. Pedro II junto com a ferrovia, teve seu momento histórico na Revolução Constitucionalista de 32 (julho a outubro), quando foi lugar de confronto entre as tropas paulistas e as tropas federais.
Os constitucionalistas tinham por objetivo a derrubada do Governo Provisório de Getúlio Vargas e a promulgação de uma nova constituição para o Brasil. Foi uma resposta paulista à Revolução de 1930, a qual acabou com a autonomia de que os estados gozavam durante a vigência da Constituição de 1891. A Revolução de 1930 impediu a posse do ex-presidente do estado de São Paulo, Júlio Prestes, na presidência da república, vaga com a derrubada de Washington Luís, que colocou fim à República Velha, invalidando a Constituição de 1891 e instaurando o Governo Provisório, chefiado pelo candidato derrotado das eleições de 1930, Getúlio Vargas. Naquela região da Mantiqueira ocorreram combates violentos com intuito de dominar aquele ponto estratégico: o túnel e a ferrovia, que permitiriam o controle do acesso ao Sul de Minas. Os paulistas invadiram Passa Quatro, que foi posteriormente tomada pelas tropas leais ao Governo Vargas. A fim de conter o avanço das tropas federais, os paulistas descarrilaram na boca do túnel a locomotiva 51.
Bom, os paulistas perderam e, curiosamente, comemoram o 9 de julho, que marca o início do conflito; em 1934 foi promulgada uma nova Constituição; e Getúlio se manteve no poder até 1945. Voltou depois, mas aí já é outra história.

Após esperarem o trem chegar, pois os intrépidos queriam conhecê-lo, e uma sucessão de fotos, impregnados de história entraram túnel escuro, seguidos de longe pelos turistas que sairam dos vagões e pararam na entrada, talvez temendo a "galha e o alien jurássico", pois seus gritos ecoavam na escuridão, assim foram, discutindo aqueles fatos históricos e, decerto, seguidos de fantasmas do passado.

Uma luz muito tênue brilhava ao longe, nas duas direções. O grupo se encontrava no meio do túnel. Apesar da escuridão, sentia-se a umidade que brota do teto e das paredes, além da água que corre pelas laterais. Não se tinha lanterna, e mesmo que se tivesse seria difícil pedalar. Empurrando as bikes as passadas eram rápidas e cuidadosas, pois o risco de uma torção entre os dormentes gastos pelo tempo e os buracos é grande. Aos poucos, a claridade foi aumentando, até que os quatro se viram no estado de São Paulo, sós, a 1.185 metros de altitude, cercados de montanhas e com o Vale do Paraíba à frente.

Após alguns instantes de contemplação e algumas fotos, deu-se início à sonhada descida, que começa difícil, devido às pedras soltas ainda da linha férrea e à vegetação fechada, melhora em alguns pontos, mas volta a piorar pelas muitas valas, talvez pelas últimas chuvas. Segundo o Ronaaldo, nas outras vezes que desceram a trilha estava bem melhor. Contudo, logo se chega a uma pequena estrada e coisa melhora bastante.

No asfalto entre Cruzeiro e Canas o quarteto foi resgatado pelas apoiadoras e, após o almoço num restaurante em Itanhandu, deu-se o retorno a Varginha.

A impressão que ficou, percorridos aproximados 85 Km a partir de São Lourenço, é que o pedal é tranquilo e, para dividir melhor o percurso, o ideal é que o grupo Aparecida X se hospede na segunda noite em Cruzeiro.

Confiram mais fotos no link abaixo:


Texto:
Luiz A Nogueira
Fotos:
Ronaaldo Figueiredo e Roberto Rivera

2 comentários:

Bikessauros disse...

Luizão, relato digno de uma aventura pela Estrada Real.
É sempre bom dividir estes momentos com os amigos.
E não foi diferente neste final de semana.
A passagem pelo túnel é como passar por um portal que liga o passado e o presente e sim, transforma as pessoas que tem a sensibilidade de perceber isto.
Tudo foi muito bom e ainda sinto o cheiro daquele pizza La Mauro.
Abraços e obrigado.
Ronaldo.

Anônimo disse...

Luizãããããooooo,
Que bela história...
Já tive a oportunidade de fazer esse pedal - de Baependi a Cruzeiro - com o mano, Adilson, Rodrigo Silva, Silas, Totonho e o Marcelino e posso dizer que é isso tudo que vc relatou.
Melhor pedal que já fiz...
Abraços,
Marcelo